Um Casamento na Montanha

“Engraçado como criamos expectativas sobre acontecimentos importantes na nossa vida, não é? Desde pequena eu sonhava com um casamento perfeito, um vestido de princesa, uma festa enorme com uma decoração elaborada e impecável. Mas a vida sempre nos prova que em nenhum pensamento ou sonho conseguimos criar algo melhor do que era realmente para acontecer. Não imaginei que fosse ser assim, porque eu nunca imaginei que pudesse ser tão perfeito. A única coisa que acertei é que seria com o homem mais incrível do mundo.”

Essas são as palavras da nossa noiva aventureira, Erika. Eu estava sem saber como escrever algo que estivesse a par do que foi a experiência de passar três dias com a Erika e o Marcelo documentando a jornada do casamento íntimo deles. Mas ela disse tudo, e suas palavras não poderiam ter sido mais verdadeiras.

Eles passaram por muita coisa difícil na semana anterior ao casamento. Tinham milhões de coisas a fazer e estavam trabalhando bastante também. Só conseguiram chegar tarde da noite na cidade em que íamos dormir e ainda tiveram que arrumar todas as mochilas e comidas para a nossa jornada. Nós tínhamos que acordar muito cedo no dia seguinte e a previsão do tempo só dava chuva para o resto da semana. Qualquer outra pessoa poderia ter reclamado sobre tudo isso e mais um pouco. Mas eles não.

Às 6 da manhã do dia seguinte eu encontrei a Erika com um sorriso enorme no rosto, colocando suas lentes de contato e escovando os dentes, muito animada. Ela sentou no chão, arrumou seu bouquet e escreveu seus votos, enquanto o tio do Marcelo, abençoado seja, fazia café pra gente. Nós começamos a caminhada as 10 da manhã e 5 horas, um pouco de sol e chuva depois, nós chegamos ao Abrigo 4, onde iríamos dormir.

Marcelo anunciou para todo mundo que ele iria casar no dia seguinte, ao nascer do sol, e que quem quisesse acordar estava convidado. Depois de uma péssima noite de sono, sendo acordados por uma ser humano roncando super alto, nós estávamos todos prontos para subir as 5 da manhã, sem problemas!

Não iria haver um nascer do sol maravilhoso e nós sabíamos disso. Mas isso não nos incomodou. Ainda vestindo roupas de inverno, botas de escalada e lanternas na cabeça, eles se abraçaram mais uma vez antes de irem se arrumar para a cerimônia. O sol os iluminou pela névoa e, no topo da montanha, descalços, morrendo de frio e felizes da vida, eles disseram palavras lindas um ao outro. Com um timing impecável, a chuva esperou pelo término da cerimônia e das fotos, e começou a cair, abençoando o casamento deles.

Quando voltamos ao abrigo, todo mundo estava acordado e os noivos foram recebidos com muitos aplausos e abraços, de pessoas que eles conheceram na noite anterior. Todos queriam uma foto com eles e a energia naquele lugar era incomparável. Só no Brasil você consegue comemorar seu casamento com pessoas que você nunca conheceu, mas que estão tão felizes pela sua união quanto você mesmo.

Erika não teve uma festa enorme. Não houve jantar chique ou decoração elaborada. Mas ela teve o casamento que ela queria ter. O casamento deles foi o primeiro casamento na Pedra do Sino. Eles não conseguiam para de sorrir. E a gente também não.

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